Calerdoses... ?

Outubro 25, 2004




Digitando meu DNA escarlate revelo meu eu, meu fui, meu sou ensangüentados pelo rubor da minha face e o pudor da minha mente.

É a genética do verso.
O momento do corte umbilical.
Rezo pra não ser apartada, mas é o fim da relação.
Derramo lágrimas e alma no papel virgem como Maria
Fecundo sem relação tudo que me relaciona
É tempo de nascer o feto e partir meu afeto
Livre como um pássaro rumo à liberdade
Sinto que cumpri meu dever
Do resto o mundo se encarregará.
Mas isso não me consola

Meu corpo sem o poder da procriação recria o surdo e amplia o mudo
Minha estrofe recém-nasceu, saudavelmente desmembrada
Terá que viver com passos menores que as pernas
e braços que não enlaçam o mundo
Triste realidade desamparada

Rasga de dentro de mim, um novo ser que não sou.
Num parto que me parte em indivisíveis cacos, parte sem deixar rastros
Ecoa no ar o grito do recém chorando
O choro do refém gritando
Na garganta o revés de um desejo
um quer a gestação o outro sair da prisão
Como um grão germinando,
nasce meu pensamento
Amputado de todos os laços
Marque essa breve falha no tempo
Faça antes que eu conte os pedaços
É o momento em que fecundo o ventre

Sou mulher parideira
Sou big-bang do universo
Sou o avesso do verso
Contração, dilatação, dor, sangue e suor
É hora de dar a luz e fugir da escuridão
Receber na espinha a anestesia
Que me fará sobreviver nesse mundo sem poesia.




...Faz tempo que não vou ao show do moska....


Minhas amigas (abraçadas ao moska) e eu (apêndice da foto)....

Essas lindinhas... foram ao Centro Cultural Carioca... *CCC*

O show foi ótimo (palavra delas)...
Semana que vem tô lá????


... Saudade dos amigos...
Do contato
Do cheiro
Do beijo (um dois três pra casar)
Do chamego
Do olá
Do olhar
Do papo
Do companheirismo
Da verdade sem eufemismo
Da alegria
Da fantasia
Do abraço apertado
Da mão estendida
Do coração pulsando
Da afinidade gritando
Do ombro pra regar
Do colo pra deitar
Das lembranças envolvidas
Das vidas divididas
Das risadas
Das piadas
Da imensa falta de assunto meio a tantas novidades
Do cochichar segredos e curiosidades
Do volver ao passado
Do envolver o presente e perceber o futuro (nosso futuro)
Da cumplicidade
Da realidade
Da intimidade
De ser a mesma tão diferente
De perceber como eu cresci e eles também
Como mudei e eles também
Como sou feliz por estar junta a eles também...

A amizade faz tão bem....
Verdade razão sonho sentimento...
...definição do que é simples, sincero e natural....






Onde Estará O Meu Amor


A busca pelo amor nas coisas é o que move essa mortal canceriana....
Não morro de amores nem de amor...
VIVO DE AMOR!!!
Bebo sua alquimia e descubro que vem do amor minha completa embriaguês.
Tontura que vem de mansinho
(só o momento de desfalecer e sentir o chão aproximar)
Tortura que pede carinho
(só enquanto acontecer, até sentir o chão distanciar)
Deito e descubro minha metade refletida habitando o outro
Levanto e me cubro armada até o próximo encontro redentor
Depois do amor nunca sou a mesma
É como um colírio que cega pra dar uma nova visão
O amor é Calerdoscópio
O amor é tudo. Está em tudo
Sou assim: toda de tudo e tudo de todos




Ando meio cítrica
Minhas palavras estão muito críticas
Tenho de recuperar minha constância agridoce
Quando melhorar escrevo alguma coisa
Por enquanto deixo uma lembrança pra guardar....

A dona da taverna


GUARDAR

Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em um cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.

Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.

Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.

Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro
Do que um pássaro sem vôos.

Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.

Antonio Cícero





De vez em quando, caio da minha nuvem poética e despenco nesse mundo de realidades inescapáveis. Hoje, dei-me conta de que é nesse fim de semana a celebração da tal "Festa da Democracia". Embora, ainda conserve o hábito de ler a página "política" do jornal (Gostaria, profundamente, de lê-la sem as caras e bocas de quem descobre noticias tão tristes quanto as infindáveis guerras mundo afora) sou uma completa alienada política, nada faço pra mudar, nem sei por onde começar. Não tenho pra onde ir, tenho de encarar meu domingo e descaradamente "depositar" meu voto de desconfiança. Tenho que votar, mesmo sem opção, mas tenho que fazê-lo, é minha obrigação "partriota".

Desgostosa confesso:

Não dá pra compactuar com essa falta de ética, pouca vergonha MESMO... Não exijo que meu eleito faça tudo certo; afinal, errar é humano. Mas política é a arte de errar e colocar a culpa em alguém. Ninguém assume erros, não assume o que fala, nem seu compromisso, só o cargo. Esse, eles assumem com o maior prazer, e como assumem. Continuam velando interesses pessoais, insistindo em cultivar planos de poder em vez de planos de governo. Chamam nossa conquista democrática de festa. Exageram na dose da falsidade e celebram nessa festa democrática seu baile de máscaras... É tudo FAKE: propostas, cartazes, companheirismo, tapa nas costas, beijo na criança, aperto de mão, abraço apertado, palavras bonitas, promessas... promessas... promessas...

É meus amigos, nesse show pirotécnico-partidário somos os otários. A feira demagoga é tanta, blá blá blá..., que a lama só aumenta. O discurso de hálito irrespirável (nem listerine resolve) aumenta nosso pântano sulfídrico. É..... melhor prepararem-se para o dia D(omingo). Não estou sugerindo levar consigo o famoso "santinho"(do pau oco, só se for), estou falando do banho pré-eleitoral, aconselho no mínimo um de colônia, porque a política tá fedendo e vai ser difícil não sair chamuscado desse processo eleitoral, obrigatoriamente imoral.

Boa sorte e vão com Deus...

Ah! Já havia esquecido dele, coitado (de Deus ou da gente? não sei...), entrou nesse carrossel sem querer. Só que nessa ciranda Deus é o cavalo onde muitos candidatos montam para ganhar mais votos. As almas, já estão todas vendidas... não sei quanto isso vai custar-nos. Pobre dos inocentes: miseráveis, negligentes, inocentes e pobres; todos vítimas desses negligentes miseráveis. (Isso é o que posso chamar de DEMOcracia!!!!)

Só espero que Ele nos perdoe e eu consiga dormir tranqüila com a paz do meu travesseiro, depois desse fatídico dia... tenho medo de que ao participar dessa imensa ignorância eu possa merecê-la e mais uma vez perder meus valores nesse palácio onde tudo é natural, até o sobrenatural.. acho que vou parar de ler o jornal, aproveitar o prazer de não saber e mandar a política pra tonga da mironga do kabuletê