Calerdoses... ?

Novembro 26, 2004


...Mastigo o vazio todas as manhãs
as palavras saem-me dilaceradas pelo quotidiano
(José Félix)



angústia...

Sem contrair um músculo
Transformarei fala em crepúsculo
Com o pôr de sólidas idéias

A palavra consumida se acumula
Rompe meus pensamentos
Canibaliza meus sentimentos
Mantém a boca fechada
A verdade serrada
E a vontade calada

Sinto o coração ao pé da boca
E a palavra na ponta da língua
Ouço o som do mudo
O silêncio absurdo
De quem tem boca e não diz tudo


Esse texto é co-operedo por minha linda amiga, que mais uma vez "emprestou-me" sem saber uma de suas fotos...




when life is quite through with:

do you know? or maybe did.
Something go away, ever so quietly, when we weren't looking...

EE CUMMINGS..





Eu olho para o RElógio
Eu vejo a RElógica
Tudo que foi volta
Tudo que volta vai
Cada segundo passa como a lágrima que cai

Diga-me tudo enquanto há tempo...
Já estou surda de tantos lamentos
Ensina-me como acertar os ponteiros...
Não tenho tempo à perder com os erros...

É essa a lógica do relógio
Esse é o olho do tempo
Ninguém bate como ele
Ninguém apanha como eu
Nem Salvador Dali
Salvou-se do que urge aqui

Estou cansada de lógica
Estou farta do relógio
Quero viver sem lógica e relógio
Quero ser feliz antes durante e depois
Pouco me importa se a felicidade é repetida
Ou se sangrarei sempre a mesma ferida

O que eu era antes dessas breves linhas já se foi
Levou minhas certezas
Presenteou-me com novos presentes
Dilacerando a juventudo e acabando com a beleza
Esse é meu mundo surreal...
É meu piscar de rapidez centesimal
O amanhã já é tarde pra tudo que pertence ao hoje
O momento mais dificil é o agora
Sei que ele não volta,
Mas se repete a cada segundo...


* Essa escultura, (o olho do tempo) de Salvador Dali, é muito eloquente. Dali repete, em coro, a musica do Moska
"de dia lágrimas à noite amante... lágrimas de diamantes..."
Sendo assim farei do tempo meu baú e das lágrimas meu diamante....



"If equal love cannot be, then let the one who loves more be me."
WH Auden





Ouça o que digo e não ouça ninguém...

...Tem dias em que me pergunto
se é a vida ou se sou eu a verdadeira louca da história.
Minha emoção à flor da pele faz a pele, tão fina, calejar
como num ritual de proteção para o próximo sapato,
não sei se os usarei no próximo baile?
(meu par partiu, e nem o meu melhor vestido me salva do luto de me perceber nua).

Acordei abrindo os olhos como recém-nascido.
Olhos feitos pro escuro.
Tudo que vejo é tão ofuscantemente novo que chego a pensar que o tempo é curto,
o caminho é longo, os erros e suas conseqüências são inevitáveis.
Pobre dos meus olhos escurecidos...
Lacrimejam quando avistam as coisas tão claras.
Preciso baixar a guarda e não baixar os olhos,
elevar-me além do limite que me prende...
e perceber a nova luz que se acende.

É difícil lidar com as minhas tolices frutos de minhas inúmeras "calenices".
(Não aprendo messsssssmo!!!)
vou ter que viver até morrer e descobrir que não sei nada,
(nem nunca saberei).
Meu olhar diurno cisma em buscar outros clarões,
que meu olho noturno não suporta.....
Não sei se mudo de olho ou se mudo de olhar.
Perco-me nessa duvida cruel.
Como decidir?
se é à noite que tudo faz sentido e é de dia que faço tudo.

Queria poder escrever como quem derrama os sentidos
com frases que dão sentido aos poucos cinco que tenho.
Embora caibam numa mão,
o tato não os alcança e nem tão pouco o coração os suporta
Esse é meu mundo e nada mais...




*PS:Esse é um trecho do meu livro dos dias...
relato antigo de uma época que passou..
Sentimento passado que um dia se repetirá.

Resolvi abrir meu caderno de lembranças...
pra lembrá-los que nunca esquecerei daqui
...A ausência, que se anuncia, nunca será a distância que nos separa
A imensa falta do que falar
tem calado minha boca com a mordaça do meu eterno algoz:
...O TEMPO..




Não precisava manchar seu blue
Nem lavar-me com anil

Quero novos pingos de conta-gota
Água e sal que escorrem até a boca
Quero sentir as glândulas trovejantes
E seu estrondo quase sempre constante
Minha fonte fácil lambendo face e fronte

Acho que é o anúncio do dilúvio
Trazendo enchentes de palavras e sentimentos
Estavam todos por aí
Chovendo, molhando, rolando e chorando
Num maremoto de lirismo
No sopro que venta as direções
Revira os papéis e também os inverte
Não me encontra, pois não sabe onde está meu leste

Porque sinto-me vazia quando minha mão não alcança
A folha que o vento balança
Não queria ventania
Prefiro sempre a calmaria

Não quero fazer meu ante-braço de lenço
Nem colher lágrimas com a mão
Olho pro céu ventando seu furacão
Fazendo de mim seu olho esferográfico
Com sombra, lápis, blush e rimel
Pintando sua arte alucinada
Com a tinta da maquiagem borrada



Não estou triste...Estou bem... e com muita pressa!!!!!
Só escrevi isso, porque adorei essa foto!!!!!!
(roubei da Minha amiga multipla)
O texto não é lá essas coisas, mas deu pra atualizar...
...enquanto isso espero um anjo poético pousar sua mão sobre meu ombro cansado...

...MEU AFETO.... Calene




Quero escrever...

Não quero rima, métrica, soneto nem coreto
Quero sentir a fisgada no dedo
Queimando latente numa dor permanente
Quero fazer das cinzas minhas idéias
Sentir o carvão em brasa
O brasão que crava
Na celulose sua marca
Fazendo do papel meu espelho
Reflexo das minhas reflexões

Tenho na fronte a fonte
Os riscos que pautam meu horizonte
A cada linha enumero tudo que almejo
Raiando no monte como um novo lampejo
Ouço a tormenta que está por vir
Posso sentir a borrasca lavando-me feito borracha fazendo-me sumir

Hoje aceito até a tempestade
Desde que traga água e fertilidade
Adube minhas palavras até anunciar
Um novo texto prestes a germinar

Hoje eu só queria escrever
Mas as palavras não sabem me obedecer....



EU, assim assim:
Desculpem a demora!!!!!
Ando sem inspiração ultimamente...
(é o desemprego e a maldita greve federal)
A fonte secou...
minhas idéias estão mais rasas que brejo de fundo de quintal...
lisas; planas; rentes e rasteiras
Resumindo: superficialmente superficial
Quando a profundidade bater..
Estarei pronta prum novo mergulho...
Até lá afogo minhas calerdoses aos poucos...