Calerdoses... ?

Fevereiro 28, 2005


"Creo que he visto una luz al otro lado del rio..."

And the oscar gone to: JORGE DREXLER!!!!!!!!!!!!!

Só o drexler para amputar minha pasmaceira noturna
ele para fazer-me borbulhar numa noite tão sonoLENTA
Por ele estou aqui margeando e cantando "al otro lado del rio"
Vibrei com seu "tapa", na academia, suave tal qual sua voz

Senti-me vingada ouvindo a capela de uma voz proibida!!!
Dizem que o **proibido** é mais gostoso? está aí a resposta!!!)

...Hoje, adiei meu sono pra poder sonhar melhor acordada!!!!!!!!...

*GENTE PROCUREM-NO!!!!!!!!!!!!!
ELE MERECE!!!!!




Seu olhar!

Tudo nele se revela
É ele, o elo que permite a transposição de nossa epiderme longínqua
É ele o culpado
Se existe inocência, pertence a mim!
Sou a vítima ingênua dessa flecha que me acerta à bala
Minhas estruturas estremecem
Minha voz desaparece
Seu olhar me desborda
Pinta meu contorno e arrepia meus continentes
É ele função de meu lado admirador
A dor de tantos mirares
Que se lançam de volta em minha direção
Vem ao meu lado
Latejando sem nunca me esbarrar
Faz que não me vê e nada faz
Vem como um raio...
e à palmos de minha narina, nervosa e dilatada,
encontra a curva de uma nova esquina
Fugidio novamente...
sai pelas beiradas, observante de visão tangenciada
Que feixe é esse?
vem raiando e nunca se põe nas minhas cercanias!
Que encruzilhada é essa! nunca termina?
Que olhar é esse? indica e confunde as direções!
Quero saber quem lhe ensinou tantos desvios?
Quero aprender a percorrer seu mapa!
Quero desfixar meu olhar!
Quero vê-lo farolar as direções que ousam me focalizar
Quero a luminosidade de sua visão me observando, me espreitando e registrando cada espiada na linha que nos horizontaliza
Num piscar de olhos
quero piscar nossos olhos e poder sentir a suavidade de nossa esgrima de cílios
Quero habitar um novo mundo onde possa enxergar além de seus dois globos de hemisférios distantes
quero englobar a fina camada de seu silêncio sutil
e assim formar nova retina
que me descobrirá projetada em seu interior





Parei de escrever
Sei que devo começar a cantar enquanto posso viver
Acho que vou me render e parar de achar.
Achar que tudo melhora e achar que acho sem procurar
Por isso procuro a cura dessa miséria
Procuro a lisura das idéias
A claridade do pensamento
A direção dos sentimentos
A linha do horizonte
A reta lisa e cortante
O meio do meu fim
Aquilo tudo que digo e sei que não é bem assim

Quero descobrir meu cobertor de imagens nubladas
Deitar no tinteiro d'uma caneta feita à duras penas arrancadas

Nessa estória de poesia mal contada
Resta-me uma melodia bem cantada
Naquele bis de minha última cartada
Assim digo p'ra todos os quatro, a direção em que o vento me sopra
Usando o ar ventrificado refaço o som de
c
a
d
a
N O T A
Palavreio a dor de quem tira do tempo o peso da carne morta
Paro minha gestação com a força do grito de quem aborta






O início é grão
Pequenino é sempre grão e nunca grinho
Nasce grão porque quem nasce precisa de um nome
E ser grão é seu melhor batismo
O nome precisa condensar o que ele condensa
Ele é a essência da essência
seu chamamento evidência sua importância
É grão, pois se fosse grinho poderia ser confundido com poeira incomoda,
migalha inservente ou cisco insistente...
Ah! Isso é que não!!! Ele é grão
Grão de tudo que somos e o mundo na palma da mão
É grão que muda o mundo à palmos de chão.

É grande de profunda e densa pequenez
É o jequitibá que mudou de nome assinou outro cheiro, cor, tamanho e textura
Mas lá no fundo ainda é grão
Que humifica a terra em vários grãos
Que humanifica a Terra em novos grãos

É grão em vários gritos de "ÃOS"
Um rito rouco de plantaçÃO
É a semente que a brisa leva
no vento abdutor que a carrega
Nesse sopro de querer se vários grãos
Nasceu o vento e desde então é ventania e furacÃO
Leva o hálito de grão pra morrer na explosão do nascimento
e completar seu ciclo de semeamento
É a mutaçÃO do pequeno em grandÃO

A cada minuto a floresta lança fogos de vida ao vento
Celebra à todo momento um novo rebento
Que cai no chão, mas não é lixo nÃO
É grÃO
TÃO GRANDE QUE TUDO FORMA EM TUDO SE TRANSFORMA
É começo de vida num pingo de alma gotejante
Gota de alquimia divina que ressuscita tudo jazido há palmos do firmamento
É cadeia de alimento
Firmando e afirmando que a natureza sempre insistirá, insistentemente, em plantar S.E.M.E.N.T.E.S
e renovar sua natureza kamikaze.

Grão é flor e é fruto.
Que se abre e ensina:
Nem tudo que é fraco é minúsculo
Nem tudo que é força é músculo
É preciso ter vida
é preciso ter força
é preciso GRAndeza
é preciso ser GRÃO




Fotografia


Hoje o mar faz onda feito criança
No balaço calmo a gente descansa
Nessas horas dorme longe a lembrança
De ser feliz

Quando a tarde toma a gente nos braços
Sopra um vento que dissolve o cansaço
É o avesso do esforço que eu faço
Pra ser feliz

Quando as sombras vão ficando compridas
Enchendo a casa de silêncio e preguiça
Nessas horas é que Deus deixa pistas
Pra eu ser feliz

E quando o dia não passa de um retrato
Colorindo de saudade meu quarto
Só aí vou ter certeza de fato
Que eu fui feliz

O que vai ficar na fotografia
São os laços invisíveis que havia
As cores, figuras, motivos
O sol passando sobre os amigos
Histórias, bebidas, sorrisos
E afeto em frente ao mar

Leone


Voltei!!!!!!!!!! do Carnaval!!!!!!!!!!!
Fui à praia e não levei uma máquina fotográfica
Não tenho uma foto pra lembrar e mostrar
Por isso canto o conto que me resta dessa semana de sombra e água fresca



Às vezes olho pro alheio e não consigo fazer-me de indiferente
De vez em quando isso acontece...
Leio noutro texto à vontade de tê-lo escrito
Hoje, me disperso da essência desse blogger,
(composto basicamente pelos meus textos, mas é pura pretensão dizer que são meus.
Os considero idéia e como tal não podem ser mensurados nem apropriados
O pensamento é coletivo, público e do público)
Sedo assim, celebro nesse post minha cobiça,
dispo-me de qualquer ambição
Encaro toda e qualquer comparação...

**Atenção**
Prendam a respiração ou respirem bem fundo porque esse texto merece e pede!!!





escrevo rasgado porque teu olhar resumiu a minha vida
fez o mundo girar ao contrário em insondável mistério
cuja cadência vai acontecendo quando a tua boca
por todos os dias do que ainda há por ser re-vivido
me mistura ao teu gosto numa trama de beijos
que me destila gota a gota
e aos poucos se mescla às tuas lágrimas chuva do amor antes sem uso
que bebo sôfrega pra não me dissolver
e que lava este amor nosso brilhando no silêncio do eco dos gritos de desafios abertos
que são o rosto deste sentimento que me consome em ardor intenso
reproduzindo as vozes sempre roucas dos nossos corações fundidos num mundo
que só eles habitam e conhecem e exploram inebriados e sem disfarces
numa necessária e absurda incoerência ambígua
onde corpos abraçados ao vento escorrem o lado de nossos avessos
pra vida não perder o brilho
e nos envolve úmidos e quentes em prazeres de tantos tons
que mesmo indo sempre e ainda estará sendo abrigo e prisão
a cada entrada dos teus versos em minha alma já desnuda da minha pele
que vai recebendo teus pedaços em cada um dos meus
que já te dei neste tempo de assustadora abstração
que dança perigosamente entre nossos olhos
que de um lado se despedem e de outro se bebem espreitando a espera
na qual reclamo e quero todos os teus lados
que se movem numa já quase esquecida existência
e me agitam tão intensamente livre fazendo-me emergir
sobre toda extensão da tua superfície
que me enlaça entre asas tecidas pela tua sede perfumada e doce e lânguida
que disfarça e despreza cada um e todos os nossos cansaços e frustrações e irreversíveis desacertos e tornam inconsistentes nossos medos
que são também nosso calado pecado
e finalmente nos estilhaçam neste translúcido espelho
que nos transporta em suas secretas asas de impensados movimentos
para a morada de nós dois onde rompe-se a vasta e velha malha de angústia e covardia e sem adiamentos ou promessas gastas
faz subir em nossas pernas um tempo no qual apenas nos deixamos amar


Eliane Malpighi



"A vida deixa marcas
Tenha cuidado
Se um dia você dançar"





E naquela tarde, tudo parecia bem tarde.
Já não tinha mais solução, o gosto há muito desgostou-se
Vislumbrando verão via a vida futura chovendo lá fora
Ainda não sei como transformou em melancolia um dia de tanta folia
Talvez os próprios dias tenham se encarregado do serviço sujo
da tarefa encardida que o ocupava
Da perda da dignidade que o preocupava
Pensou que fazer um bico rancoroso pudesse render-lhe uns trocados
Quem sabe um dinheiro digno que lhe comprasse uma briga
Mas não houve um só chamado, nem pra varrer avenida
Há muito não chamava atenção, nem pedia que ela viesse
Queria um pedaço de pão, mas não queria que outro lhe desse
Vestiu sem perceber sua fantasia de cara emburrada
Já não via saída decente desse bloco de vida estragada

A solução foi jogar-se do prédio e cair de vez na folia
Nesse segundo de festa, entre a tristeza e a alegria
Tentou lembrar-se: "pra sempre se esqueça"
Que não há no fogão comida que o aqueça
Nem no coração beleza que permaneça

Resolveu perder de vez a cabeça
Sem ela a alma ficou muito mais leve
A queda ficou muito mais longa e o vento muito mais breve
Sem ela vivia feliz, corpo de tronco e pescoço
Agüentando firme sem coração, foi forte na pele e no osso
Rodopiou no salão do barraco, bêbado sempre e de novo

juntos na laje, ele e sua última esperança
bailaram a saia-baiana d'um belo compasso de dança
Ao som dos estilhaços da fome festejada em toda vizinhança
Caiu mais e mais fundo, fazendo do chão seu leito
Enquanto o trio passava, gritou do fundo do peito

Caído ali na folia
Sentiu o fim da agonia
Resolveu acabar com aquilo
Já não tinha motivo, nem a cara, pra encher seu vazio
Cedeu às hipertensões dos impulsos
Perdeu seu tenso e constante pulso

E naquela quarta em cinzas não houve uma única lágrima em seu rosto-Pierrô
Uma visão que perdia a dimensão do que é viver o terror
Lá fora a banda passava sem graça, chorando quase feliz
Aqui, o escuro velava a alma de um pobre infeliz
E nessa festa formada, o filho é quem chorava a cuíca
Enquanto a passista sambava ao som da pobreza que fica


* Sei que caranaval é pra ficar feliz...
Mas vi uma cena tão triste enquanto voltava da faculdade
Não poderia calar-me
Não pude deixar de chocar-me
Sinto ter que sentir a tristeza do mundo
Pensei na minha sobrinha que acabou de nascer
Que mundo é esse que ela vai ter que aprender a viver????