Calerdoses... ?

Abril 25, 2005


Essa é a história da borboleta que se apaixonou por um soco


E então tive a certeza da vida vã. E sorvi de um gole só meia lata de cerveja. E queimei os lábios ressequidos com um chá de hortelã. E entoei um samba. E bocejei com as mãos trêmulas. E beijei uma mocinha que já me conhecia. E minha velha postou a mão sobre meu ombro. E fiquei melancólico com o futuro. E sorri lembrando o passado...Ter a sensação de que tudo que acaba de dizer, já foi dito. Já foi falado, calado, esquecido

MICHEL MELAMED(Livro que acabei de ler: REGURGITOFAGIA)


Para não ter fim nosso triste Policarpo way of life


Assim que depositava meu voto numa urna pensava: e agora? e depois? Por que será que nas propagandas ninguém diz isso? No horário eleitoral vinham todos dizer que votar é simples é só assinar meu nome (às vezes nem isso uma simples lambuzada no dedão basta) e nem marcar um Xis seria necessário, só precisava gravar um nome e fazer um xis pra foto de tapinhas nas costas, mas essa atitude ridícula e débil me irritava profundamente. Caramba!!! Assim até um cão vota! e era assim que me sentia: um animal irracionalmente movido por estímulos... Que me diziam pra fincar votos e não ficar pensativa. Mas graças Deus (ou não) ainda insistia em pensar e no caminho de volta pensamentos giravam sobre mim dizendo: se é aqui que se começa então onde termina a participação popular!?. Votar sempre foi tarefa executada de má vontade e contra minha própria vontade dava inicio e fim a minha participação política ali mesmo. Lavava minhas mãos com a cara mais deslavada dizendo que não tenho tempo nem proximidade capaz de fazê-los ouvir meus gritos de revolta e minha cobrança pedindo meus votos de volta. Precisava mudar! Não sei como, mas precisava (e preciso) Afinal meus direitos foram adquiridos através de todos que morreram pelo ideal cidadão e por eles me incomodava essa letargia eleitoral. Não era justo fazer isso com meus antepassados (nem tão passados assim).

Sempre me incomodei com essa minha atitude alienada. Mas nunca fiz nada além de falar e reclamar no sofá de casa o que nunca me bastou, pois até do sofá eu reclamava, não gostava de ficar largada ali falando e agindo como se fosse demente. Me incomodava eu me incomodar tanto com o fato de nunca ter conseguido viver um voto conscientemente. Mas como se vota conscientemente? Nunca cheguei a uma conclusão que não me parecesse utópica. Acho que o fato não é votar... Acho que o lance é voltar pr'onde tudo começa... Pros votos de confiança e pros votos de promessas de cada político. Retornar a eles realimentando nossas cobranças e fomentando nossa aliança é a melhor saída pra essa entrada, pois votar é só um ponto e a verdadeira democracia é reticência em eterna continuidade. Achava tudo isso e ainda acho (acho não tenho certeza) mas o ideal é sempre mais bonito que o real e essa conclusão continuava me perseguindo constantemente num fluxo diário de dúvidas.. como!? como!? como praticar meus pensamentos?! o que mais me atormentava era a não prática desse discurso perfeito, assim eu me transformava em farinha do mesmo saco, parecidíssima com os tais políticos de memória curta, fazendo as mesmas promessas não cumpridas das políticalhas que tanto odeio. Eu só falava e nada fazia, não existia prática nesse meu discurso. Observava tudo e idealizava do muro e na mesma distância que eu tomei a partir da minha decisão eleitoral. Descobri que ler o jornal é bom, mas só faz sentido com o feedback que se chama Cidadania, é ela quem alivia e afasta o fato que mais me perturba, os fatos que não podia perturbar também. Por isso fiquei feliz quando descobri minha varinha* pra cutucar as onças políticas... meu "pertubômetro" das Velhas raposas. Hoje eles podem sofrer com nossos dedos... Espero que não só eu como todos utilizem essa ferramenta neo-democrática!! Sinto-me um pouco tia velha falando e re-falando isso aqui mas se alguém ainda me ouve eu recomendo que assistam aos noticiários e se interem mais sobre política. Sei que o ser humano não sobrevive sem pequenas alienações e por isso as novelas fazem tanto sucesso, mas se é pra acompanhar as cenas dos próximos capítulos vale conferir www.cartacongresso.com.br que exibe periodicamente a novelinha política brasileira.

*A varinha de condão é o programa gratuito Galera que pretende ser útil a quem cobra serviço dos que têm poder através do voto. Usa a planilha de deputados federais, publicada democraticamente na internet pela Câmara Federal, e facilita o envio de mensagens do cidadão a representantes do povo.




"tenho por princípios
Nunca fechar portas
Mas como mantê-las abertas
O tempo todo
Se em certos dias o vento
Quer derrubar tudo?"



Adriana Calcanhoto


... Rio de expressionismo...



"O grito" de Munch é talvez a melhor chave para compreendermos o Expressionismo. Um homem de aspecto fantasmagórico está em primeiro plano. Tudo na pintura é reflexo do seu grito interior. A sua angústia toma conta de todo o quadro. Ela se expande e arrasa todo o cenário. As formas do ambiente e dele próprio são distorcidas por seu grito. O real perde importância. O que passa a ter valor é o mundo interior. Darren Aronofsky, diretor de "Pi" e de do "Réquiem para um sonho", define bem a questão: "Já vimos tudo explodir em filmes bombas, prédios, planetas; a grande explosão a ser feita agora é a explosão interior".

HEITOR DHALIA - cineasta brasileiro participante da mostra -


... "Expressionismo Revisitado" no CCBB...
*Centro Cultural Banco do Brasil
Rua Primeiro de Março, 66
Centro - Rio de Janeiro
tel 3808 2020
ingressos: cinepasse - R$8,00 válido por 30 dias
debate - entrada franca


(Homenagem ao bom gosto de Rodrigo quem sussurou esse grito em mim!)



BILLIE HOLIDAY


Ela é uma Deusa e esse mês (dia sete pra ser mais precisa) completaria 90 anos...
E eu como fã não poderia deixar essa minha raiz negra passar em branco!!!

LINKS:
Ouça Billie
é só buscar pelo artista (billie holiday)
VIDEO globo mediacenter
Deve-se buscar billie holiday, nesse clip está escrito "passe livre" (ou seja todos podem ver)....
Biografia


exPRESSÕES




Padrões!!?
Sim, esses e aqueles que insistem em forçar-me a ser igual ao que não sou
Não sou pessoa que escreve certo nem aquela que tudo se pode assinar em baixo
Não sou do tipo que fala baixo, nem aquele outro que fala pouco
Grito na altura em que meu peito escorre
corro liquefeita feito sangue quente no termômetro alto
salto as estradas ignorando os desvios lisos para caminhar só em vãos
vôo porque meus pés plumas de antigos carnavais já cansaram de tanto chão
Chamo a vida em brasas dou uma festa de exageros entretendo meus convidados
Os dados eu jogo e descubro que a intensidade da vida é o destino das coisas

Padrões!... são pressões que esmagam nossas expressões e anulam nossas impressões.
..Na verdade não existe elegância nem modelo de coisa alguma...



Difícil ser funcionário


Difícil ser funcionário
Nesta segunda-feira.
Eu te telefono, Carlos
Pedindo conselho.

Não é lá fora o dia
Que me deixa assim,
Cinemas, avenidas,
E outros não-fazeres.

É a dor das coisas,
O luto desta mesa;
É o regimento proibindo
Assovios, versos, flores.

Eu nunca suspeitara
Tanta roupa preta;
Tão pouco essas palavras -
Funcionárias, sem amor.

Carlos, há uma máquina
Que nunca escreve cartas;
Há uma garrafa de tinta
Que nunca bebeu álcool.

E os arquivos, Carlos,
As caixas de papéis:
Túmulos para todos
Os tamanhos de meu corpo.

Não me sinto correto
De gravata de cor,
E na cabeça uma moça
Em forma de lembrança

Não encontro a palavra
Que diga a esses móveis.
Se os pudesse encarar...
Fazer seu nojo meu...

Carlos, dessa náusea
Como colher a flor?
Eu te telefono, Carlos,
Pedindo conselho.

João Cabral de Melo Neto



*PS: Como esse é meu espaço
Sinto-me na obrigação de anunciar a novidade
Um desses concursos da minha vida me chamou...
Já não era pra menos...
Agora tenho mais o que fazer... (ou não)


La ciudad de los cajones



Lembranças


Não são tão poucas que não as sinta
Nem tantas que me machuquem
Não são tão escassas que não me caibam
Nem tão abudantes que me satisfaçam
São na medida desmedida
Antigas feridas
Belas felicitas
Abertas dentro de mim
Apertam de dentro de mim
Baú repleto de um pouco de tudo que me contém
um pouco dos poucos que me têm...


SE

se por acaso
a gente se cruzasse
ia ser um caso sério
você ia rir até amanhecer
eu ia ir até acontecer
de dia um improviso
de noite uma farra
a gente ia viver
com garra

eu ia tirar de ouvido
todos os sentidos
ia ser tão divertido
tocar um solo em dueto

ia ser um riso
ia ser um gozo
ia ser todo dia
a mesma folia
até deixar de ser poesia
e virar tédio
e nem o meu melhor vestido
era remédio

daí vá ficando por aí
eu vou ficando por aqui
evitando
desviando
sempre pensando
se por acaso
a gente se cruzasse...
Alice Ruiz


ENCONTROS
desENCONTROS
CONTOS
ENCANTOS
desENCANTOS
CANTOS


If You See Him, Say Hello


TUDO quanto sou está naquilo que não ouso ser!


EU's=Ateus+Comuns+Desconhecidos+Convencidos+Anormais+Paranormais
+Bonitos+Bizarros+Narcisistas+Feios+Nazistas
+Estetas+Extrovertidos+Poetas+Televisivos+Cinéfilos+Inimigos
+Errôneos+Pseudo-neurônios+Racionalizados+Iletrados+Medíocres+Malditos
+Estáveis+Detestáveis+Passivos+Odiáveis+Aborrecidos+Esclarecidos+Estúpidos+Inteligentes!
Gente dentro de A.gente!
Nolmal sempre diferente
Enfim, todos, sem exceção, de(formam) o que sou por enquanto
Tantas coisas me modificam e nem sabem quanto
Muito obrigada a tudo que não me conhece!
E mesmo assim retribui
E mesmo assim contribui
Acrescentando valores naquilo que, ainda, não sei como ser



InvejaDMIRADA


Eu tenho um quadro que fala
Tenho um poema que agita
Tenho uma inveja que mata
Tenho um desejo que grita
Tenho também uma culpa dizendo que não faço novidade apenas cobiço o inanimado
Sinto muitas vezes que aquele poema daquele poeta me pertence
Olho pro alheio e a arte acha que sou dela
Me toma nos braços em goles sedentos
Cospe meu bagaço desnorteado
Arranca minha idéia, sobra de ontem
fazendo dessas poucas palavras
um mescla-mescla, colcha de retalhos
Por isso a possessão...
Por isso a apropriação
Por isso a fumaça fria indevida
Por isso sinto a espinha quando respiro...
Por isso faço, refaço e desfaço o que não é meu.
Por isso perco meu tempo com tudo aquilo que me despertence

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**Por ser simples e normalmente salivar espectadora, essa semana cultural despertou minha inveja!!!

*CAlerdoses 1: show do moska na quarta!!!
Participação: eu (hehe) Zélia Dunca e Martinália!!!!!!
Foi um dos melhores shows dele...
Cantou Cartola, Bide Marçal, Chico buarque, Herivelto Martins, Peninha...
Delirei em arrepios multiplos...
Como ele é talentoso!... morro de tanto cobiçar suas notas musicalizadas pelo seu dom infinito
*CAlerdoses 2: Sexta... Acabei de chegar da peça "O PROVOCADOR@" de Antônio Abujamra...
COMO GOSTARIA DE TER UM TALENTO ASSIM!...
A utopia da perfeição alheia é fascinante...
A perfeição está sempre na terceira pessoa..
Se dou um passo ela dá dois
se dou dois ela dá quatro e assim vou até o limite do infinito sem perceber...
*CAlerdoses 3: Sábado tem Odeon BR
10º Festival Internacional de documentários: IT'S ALL TRUE (é tudo verdade)!!!
já tô lá...vamos ver o que mais vou desejar nesse meu final de semana cinematográfico.
*CAlerdoses 4: Livro REGURGITOFAGIA... Michel Melamed... antes de mais nada, TUDO!


...Regurgitofagia...


Pra que verbalizar, oralizar bobagens da boca pra fora! Vou desligar o tubo vegetativo que me alimenta. Eutanásia de todos os pré-conceitos. 24 horas de vida, por que já comi muitas verdades estragadas.
Algum meio dia acabou de acenar minha fome novamente. Já são algumas quatro horas re-revirando meu estômago, mantendo meu maxilar dormente de tanto mastigar essas gomas que me empurram. Desde que abri os olhos venho chicleteando informações sem a menor sustância. Informações sub-informadas cercadas de modos eufêmicos. (que porra é essa!!!? - que modos são esses?-)
Na saliva da urgência encontro a geladeira, às duas da manhã, largando minhas sete horas presa nessa tela buscando o que comer e confeitando minunciosamente meu banquete dionisíaco alucinógeno que palateia novos gostos em antigas cascas de idéias quebradas pelo raio difusor da mídia clareada no horizonte das seis da manhã vislumbrante no dia modernamente vazio.
Acordei de estômago embrulhado vomitei minhas fagocitoses publicitárias numa diarréia oral. Vazia da vitamina de porcaria, da porca mercadoria, lavagem de informação. Emagreci pra segurar a insustentável leveza do ser. Corri esquelética, carregando a anorexia da minha vida nova, com uma maçã proibida na língua + um "trydent" no bolso+ mil idéias na cabeça + um walkman no ouvido + um outdoor nos olhos + uma revista nas mãos + dez pedras nas unhas + sete raivas nos dentes + um chão no pé + uma marca de sola na cara + 10.000 m² de azulejos, no céu desse mundo canibal que gira informações, reprogamadoras da minha existência, enchendo meu cotidiano de novas (requentadas) inutilidades de ontem...
Um ritual diário torna-se necessário: Regurgitação noturna, fagia seletiva no dia seguinte!!!. Caso contrário, morreremos lenta e constantemente... cadê a mídia nessas horas??? SOMOS TODOS Terri Schiavo!!.