Calerdoses... ?

Maio 5, 2005


Do amor





Não falo do amor romântico, aquelas paixões meladas de tristeza e sofrimento. Relações de dependêcia e submissão, paixões tristes. Algumas pessoas confundem isso com amor, chamam de amor esse querer escravo, e pensam que o amor é alguma coisa que pode ser definida, explicada, entendida, julgada. Pensam que o amor já estava pronto, formatado, inteiro, antes de ser experimentado, mas é exatamente o oposto. Para mim, que o amor se manifesta, a virtude do amor é sua capacidade potencial de ser construido, inventado e modificado, o amor está em movimento eterno, em velocidade infinita, o amor é um móbile. Como fotografá-lo? Como percebê-lo? Como se deixar sê-lo? E como impedir que a imagem sedentária e cansada do amor não nos domine? Minha respota? O amor é o desconhecido. Mesmo depois de uma vida inteira de amores, o amor será sempre o desconhecido. A força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos dá uma nova visão. A imagem que eu tenho do amor é a de um ser em mutação. O amor quer ser interferido, quer ser violado, quer ser transformado a cada instante. A vida do amor depende dessa interferência. A morte do amor é quando, diante do seu labirinto, decidimos caminhar pela estrada reta. Ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos e nós preferimos o leito de um rio, com inicio, meio e fim. Não, não podemos subestimar o amor. Não podemos castrá-lo. O amor não é orgânico. Não é meu coração que sente o amor. É a minha alma que o saboreia. Não é no meu sangue que ele ferve. O amor faz sua fogueira dionisíaca no meu espirito. Sua força se mistura com a minha e nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu como se fossem novas estrelas recém-nascidas. O amor brilha, como uma aurora colorida e misteriosa, como um crespúsculo inundado de beleza e despedida, o amor grita seu silêncio e nos dá sua música. Nós dançamos sua felicidade em delírio porque somos o alimento preferido do amor, se estivermos também a devorá-lo. O amor, eu não conheço, e é exatamente por isso que o desejo e me jogo do seu abismo, me aventurando ao seu encontro. A vida só existe quando o amor a navega. Morrer de amor é a substância de que a vida é feita, ou melhor, só se vive no amor. E a língua do amor é a língua que eu falo e escuto.


Moska.
Na falta do meu... sobram palavras que também não me pertencem...


Com meus próprios olhos!!!




* Quase dois irmãos:
Antes de mais nada o filme é S-E-N-S-A-C-I-O-N-A-L!, impactante, inteligente e acima de tudo REAL... Ele faz paralelos com a dualidade das coisas: passado e presente, branco e negro, pobreza e riqueza, certo e errado... Enfim, do início ao fim ele dialoga a flexibilidade seguindo caminhos dialéticos e extremamente interessantes. Tem sua densidade belamente quebrada pelo humor no tom certo... É bonito perceber a delicadeza e perspicácia do olhar feminino da diretora Lúcia Murat nesse filme tão necessário. Ela tocou a violência e transformou em delicia de filme a ser saboreado e pensado e repensado e pesado e repesado e ponderado e reponderado!!!! O que mais me marcou foi a ebulição de reflexões sobre a vida... ... ... que segue fluxos margeados pela eterna dicotomia entre a vida que sonhamos e a vida que vivemos.



* Bom dia, noite:
E-X-T-R-E-MA-M-E-N-T-E inteligente!!!!!!! os flashes, a musica, a luz, tudo!!!!Eu, do alto da minha ignorância telespectadora, o classifico como lacunar (meu mais novo neologismo). O que seria lacunar? é o tipo de filme que exige um publico-roteirista que monte o quebra-cabeça e dê continuidade à mensagem enviada... Explora a dúvida e a eterna necessidade dos nossos pontos de vista além de sinalizar a importância de revê-los... (coincidência supracitada ou não) Explora a visão feminina da realidade através de Chiara, interpretada por Maya Sansa... vi o filme através dos olhos dela e com ela naveguei entre o conto e a realidade... Saí do cinema assim: Até que ponto estou pronta a defender meus pontos de vista, qual o ponto que sinaliza a hora de reavaliá-los, quando é a hora certa de dar bom dia à noite e dar boa noite ao dia?! ...O diretor Marco Bellocchio conseguiu contrapor a violência da época e a do rapto de ALDO MORO com sensibilidade feminil.

PS: Como vi os filmes no mesmo dia, mesma sala e no mesmo lugar (meu cine preferido).Tenho de dizer que a relação entre eles é a ambigüidade encontrada nos próprios nomes: Dia e noite, Dois irmãos...
UTOPIA..., isso!. Eles falam de utopia!



· Essas são as minhas visões!!!
· Para obter outros olhares:
- Quase dois irmãos
- Bom dia, noite