Calerdoses... ?

Julho 30, 2005


Anseio de peito aberto que sempre haja margaridas e girassóis se amando em de-lírios...




...Apinéia sentida no gosto das palavras ditas como nunca
Oxigênio e coração
Falta e fala na mesma e única língua
Respiração e transpiração
Explicação atirada pelos braços sobre a nuca
dizendo que é no beijo que se aprende tudo o quanto não se prende
Por isso solta-se poemas no colo amante
deita-se o cansaço na pele do amor precioso diamante
que reluz a sombra dos rostos próximos
iluminando o perder de vista aqueles prévios conceitos
de tudo que ainda insiste em ser o certo
Esquecido na tentativa de encontrar-se
E banido a percorrer os campos com a liberdade da proximidade desejada
dá-se voltas que retorna do distante
aquela palidez do desmaio de ter a face beijada
sentir outra vez a tez embriagada
que continua zonza e tonta selando essa correspondência
destinada à perdição da consciência
Perda da ausência
Encontro de sentir o que é não ter a noção
ao manter no corpo o cursor das mãos
que alcançam os gemidos
o calor transferido
na saliva que molha o acordar dessa síncope
anunciando uma nova visão
uma nova atuação
a celebração de ver tudo virar novidade
O mundo encenar a nova realidade
de ser coadjuvante nesse piscar de desejo
No primeiro ato ser o primeiro beijo
Partido da vida coração onde perdeu-se o foco completo
Sob o olhar perplexo
de brilho reflexo
Novo amor simplesmente complexo
Novamente palavras repetidas
Mesma prece escondida
Os dois tornando-se conjunto
con-junto e con-junção
Justamente a comunhão
não vazia nem solitária
visível não unitária
pessoal e solidária
Juntando a unidade
revelando a cumplicidade
Através do mecanismo do desejo errante
usado na matemática dos amantes
dita esclarecidamente depois
revelando que relação antes de tudo é dois
Encontrados num beijo
que sutilmente denuncia almas evidentemente tangenciadas
pelo encontro dos cílios que gritam o silêncio da visão
Anunciando a miragem que abafa o som dos sinos
ouvidos sempre que há beijos
trocados no canto dos cantos tocados com dedos trêmulos
a musica
o delírio
a epiderme
a percussão alcançada
ao percorrer o contorno
a borda
o continente
a superfície de cristal de cada boca duplicada
que são taças afinadas
sonorizando no espaço com água
o esbarrão
o toque nas mãos
O roçar
o leve encostar
O breve encrostar de lábios róseos e dentes brancos

Rodin.. quando acabei de escrever (humildemente) esse texto não pensei em ninguém melhor para representá-lo .. sempre fui fascinada por esse beijo escultural... é lindo ver nesse "O BEIJO" a entrega de músculos enrijecidos tão bem lapidada por esse mestre
*Gostaria de pedir desculpas à senhora língua portuguesa, espero que ela compreenda a minha intenção na ausência das virgulas, esse texto necessita de fôlego e se não o exigisse obviamente nunca poderia falar do beijo nessa eterna posição estatualizada...


TergiVERSAR


Evasiva
Desbordando expectativas
Mudando a estrutura
sem pensar em formatura
Formando uma nova composição
PRONTA
Outra graduação:
FILOSOFIA
.......


In...

...verno


Mal tempo
Tempo de males que vêm para o bem
É a beleza de estar presa num souvenir de natal
que chocalha a existência da paisagem
com a brancura de seus flocos e a clareza de seu monocolorido
Não basta sacudir p'ra entender o inverno
É preciso cantar sua musica
e dançar a bailarina nessa caixinha de surpresas
É no inverno que o azul sopra seu blues
e presenteia o ouvido com algum outro sonido captável, porém indecifrável...
De qualquer forma sua beleza está nesse mistério e
no charme de um jazz servindo sutilmente de fundo
para um novo dia que finda
Tanta melancolia, e reserva, traz tempestades num copo d'água
e a frustrante impossibilidade de gozar a tranqüilidade de tardes veraneias
Só há lembrança das cinzas de outono em cores primas
e nenhum outro remédio além do carvão queimando
reproduzindo o calor da hora em exageros de pequenas fagulhas

Edredom, lareira, conhaque, luz
Ouvidos estalando cada sussurrar de brasa
Com aquela eterna necessidade de aquecer-me da brisa
Fujo de não ter o que fazer
Por isso escrever à luz da aurora o orvalho dessa época...
Falar do inverno é dar calma a alma encontrando a leveza roubada por tantos amanhãs nublados.
Escrever é permitir que flores se abram sutil e cuidadosamente
É respirar um novo ar e novamente ser outra pessoa
Por isso escrevo nesse tempo de recolhimento...
Desagasalho a estupidez
Mato o tempo
Tiro a manta
Capitulo cada toque cada musica cada balada sem parar

Sendo Formiga e Cigarra
Canto e assim sobrevivo à hibernação polar de minha sensibilidade economizada
Um dia voltarei calma e com calma
Com sangue frio de quem escreve poemas quentes
Por enquanto minha criatividade é tarde invernal...
Nada além de pontas de Iceberg....

Na tentativa de quebrar o gelo,
fiz a curva do vento e resolvi bater minha brisa na mesma tecla
Dizendo que no canto da página há um gemido costeiro tremendo sem ouriçar um só pêlo no casaco de minha própria pele

Meu inverno poético é assim:
Migração de todos os sentidos
Balé celeste da passarada
Perguntas sem direção
Horizonte...
nada além do monte
de idéias fora de estação

Prova!!! Prova!!! Prova!!!
Na tentativa de estudar finanças...
o frio dessa madrugada me trouxe até aqui...
até mais...



NOtes Of a BlOg...


Ouço tambores rufando... por isso sento-me aqui... no computador ao lado daqueles que ainda insistem em ser minha platéia... há muito perdeu a graça esse espetáculo... embora um artista sempre se envaideça com o esgotamento dos ingressos.. nada além de agradecimentos vazios como quem inventa onomatopéias meio ao silêncio.. penso no tom dessa mensagem, que preciso encontrar. Eu sinto nesse momento inicial um murmurar em meios-tons melancólicos, em tons mais claros, com pressa e superficialidade, ou alternando alegria e prazer com momentos profundos e reflexivos... e mesmo fazendo-se silenciosa minha despedida... Os tambores não param...