Calerdoses... ?

Agosto 31, 2005


Hoje, um ano de Blogger!!!



Primeiro gole:
Criei esse blogger sem a menor pretensão. Pois para quem fala muito como eu, já se foi a ilusão de querer ser ouvida. Criei minha criatura entre raios e trovões, No ápice do meu excesso de coisas para fazer... no olho de um furacão descobri meu lugar nesse escombro de alma completamente Soterrada pela vida que, à todo instante, cobra minha presença e minhas atitudes ...Estava naqueles dias em que não conseguiria fazer tudo então resolvi não fazer nada.. e não fazer nada para uma mulher significa parir.. e foi assim que isso tudo nasceu: Meu filho!..é assim que denomino o que nasceu e ainda nasce de mim... me pertence e ao mesmo tempo foge ao meu controle, é um pedaço de tudo quanto sou, é algo que extraiu-se do meu eu... é filho, e é exatamente por isso, é exatamente por ser meu dessa forma tão livre que não sei qual será o futuro dessas minhas Calerdoses, mas tenho certeza de que o presente está como eu queria: sobrevivendo sem a minha sobriedade habitual, permanecendo sem meus padrões e medidas cotidianas ...Acho que o conceito é esse: Olhar o PC e ver meu pensamento que não pára de girar no mouse que não pára no lugar. Sem querer arrumei um vício: CALERDOSES, que é meu botequim cheio de suas filosofias e com todo o seu desabafo. ...Escrever aqui é pedir mais uma ao garçom e beber "sozinha" o álcool da minha vida água-com-açúcar... Pretendo escrever até acabar meu último guardanapo encardido... vou tentando cozer palavras... ver se junto algum sentido com os retalhos de meu antigo vestido de desculpas esfarrapadas. Continuarei como a bêbada que costura seu próprio caminho zigzagueando de um extremo ao outro buscando o equilíbrio, tão difuso, à fim de desvendar a realidade desse mundo, ainda, tão confuso...



13 de setembro:
FRANCESCA ANCAROLA FAZ SHOW NO RIO DE JANEIRO!!

Não é só porque sou fã desta Chilena...
Mas é que seria um crime eu não divulgá-la
Ela mistura o jazz e as suas raizes folclóricas com maestria. Junta belamente sua musicalidade acadêmica a sua percepção altamente interpretativa.

*Ano passado ela fez um tributo a VINICIUS DE MORAES no chile e se declara (mais que assumidamente) influenciada pela música brasileira (que na minha opinião também é a melhor). Milton Nascimento e Chico Buarque são apenas alguns nomes que encabeçam a lista de suas preferencias.


*SHOW- RIO DE JANEIRO:
Mistura Fina -dia 13 de setembro -terça-feira- às 21:30/ R$ 25,00/
Av. Borges de Medeiros, 3207 , Lagoa
Informações: (21) 2537-2844
Horário: 12h/ último cliente(seg. a dom.).
C.c: todos, exceto Visa . Ar-condicionado.- Manobrista.
Classificação etária: 18 anos
Site Oficial
Para ouvir clique aqui


A paUSA me USA

Com a mão que dá e tira
Busquei palavras pelo colarinho
Apertei-lhes o pescoço
Até ouvir algum grito
sonido ou ruído
Só o silêncio a me olhar
e cada silaba a engasgar

Descobri o que é esganar
Enganar e sufocar
Senti apertar até afrouxar o ar
tive a visão da guilhotina
e no ultimo olhar da retina
um matiz nessa tela em branco
um dizer em preto
um cantar sem coreto

isso é omitir
é oprimir
é não se permitir
suprimir as possibilidades
Calar toda à vontade
Sem culpa negar minha natureza:
Fugindo de significar beleza
Assim, tirei dos olhos a responsabilidade da clareza


Embora não tenha ficado bom, foi muito bom voltar aos velhos tempos... há tempos não escrevo para uma imagem. Conhecer a Celia Lacayo e sua pintura misteriosa me comoveu (leiam sua biografia, seu dom foi um dom mesmo). De alguma forma ela me lembra a Frida Kahlo... essa lembrança as deixam próximas do tipo de pintura que gosto.. cheias de mistério e colores. Fico feliz por reconhecer nos seus talentos os traços em que eles se reconhecerem... espero que o encontro também seja nosso, sempre!



Escrevo para expulsar o que resta de mim em mim.
Escrevo a fim de completar meu vazio aquecido, deixado e permanecido
Completo meu ciclo e transbordo meu conteúdo,
escrevo porque não sei bem se mudo,
porque ser ponte é mais fácil que ser ponto.
Escrever é minha forma de organização,
meu jeito de limpar vestígios passados,
engomar o vestido amassado sacudido no corpo empoeirado.
Escrever é enxaguar o rosto do resto sentido n'aLma
Contrário da Lama, é calma,
Lado do nó que vai do lodo ao pó.
Escrevo para desenrolar me enrolando
e descolar pedaços colando letras na boca do meu esquecimento,
ser assim minha broca e também meu cimento...
Escrevo para desturvar a emoção de minha lembrança em decantação.
Escrever é a forma mais clara de dizer o meu secreto
E sem perder o segredo assumir meu decreto,
minha carta de alforria, onde desfaço a agonia...
Escrevo para tirar, arrancar, extrair o ciso
e dissecar a lágrima sobre o rosto liso
E lavar e levar e livrar e ser livre




Zeca Baleiro


"Sempre que te vejo assim
linda nua e um pouco nervosa
minha velha alma
cria alma nova
quer voar pela boca
quer sair por aí

e eu digo
calma alma minha
calminha
ainda não é hora de partir

então ficamos
minha alma e eu
olhando o corpo teu
sem entender
como é que a alma entra nessa história
afinal o amor é tão carnal
eu bem que tento
tento entender
mas a minha alma não quer nem saber
só quer entrar em você
como tantas vezes já me viu fazer

e eu digo
calma alma minha
calminha
você tem muito o que aprender"

*Às vezes ter alma dá um trabalho...




Vou fugir de casa
Tentar apoio noutra calçada
Pois tudo que fui desaba
Minha verdade é cinza-queimada
Sai de mim como noite nublada
Fugindo do escombro de minha antiga morada

Vou renegar meu nome e viver sem senhor
Carimbar nova identidade
Aproveitar cada novidade
Procurar minha outra metade
Fugir dessa louca cidade
Morar no meu interior



!!!!!!!!DESASTRE!!!!!!!!




Trânsito:
Política em transe.




EnGAVETAmento


UTI
CPI
Encaixe
Caixa
Dois
Três
Um
Bilhão

Embriagamento

Contramão
Esbarro
Carro
brasilia
Amassa
Batita
Limão

Atropelamento

brasília
Amarela
Febre
Banguela
Passarela
Corrupção

Engarrafamento


Buzinas
Propinas
Brasília
Capital
Mensalão

Engaiolatamento?


Papéis
Hotéis
Quartéis
Prisão

Engradeamento...


Ferro
Berro
Detenção

ESQUECIMENTO

Diri-gente
Ladrão

Brasileiros e seus carangos!
Brasilia e seus candangos!
...Próxima eleição...




Quanto vale ou é por quilo?

"O novo filme do diretor Sérgio Bianchi revela as mazelas e contradições de uma país em permanente crise de valores, traçando um curioso e inusitado paralelo entre o período da escravidão e o comportamento da sociedae brasileira nos tempos de hoje.
Adaptação do livro "pai contra Mãe", de Machado de Assis, entremeado com pequenas crônicas de Nireu Cavalcanti sobre a escravidão, extraídas dos autos do Arquivo Nacional do Rio de Janeiro, "Quanto vale ou é por quilo" faz uma contundente analogia entre o antigo comércio de escravos e a exploração da miséria pelo marketing social.
Apontando a câmera para a falência das instituições no país, o filme apresenta uma solidariedade de fachada, onde o que interessa realmente é o lucro; seja ele social, político e, principalmente, econômico.
Embalado pela corrupção, o filme desenha um painel de duas épocas aparentemente distintas, mas, no fundo, semelhantes na manutenção de uma perversa dinâmica sócio-econômica, numa mistura de períodos e personagens em situações análogas que criam uma duplicação de possibilidade surpreendente para o espectador."



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"(...) Nesse mundo tudo é possível nesse mundo tudo existe, mas ela disse que não e então eu falei você acha que nesse mundo ninguém come cocô?! Que não existe milhares de pessoas nesse mundo que comem cocô?! Que agora mesmo não tem um casal de jovens lindos em Buenos Aires se amando com fúria por entre suas merdas?!? Em Bancoc um homem não acaba de levar numa virulenta golfada com a mão direita a merda à boca?!? No Deserto do Atacama um índio solitário não faz uma prece e não lambe a sua própria Bosta?!? Em Paris-berlim-cairo-moscou-em-todos-os-lugares?!? No Japão um homem de meia-idade solitário e muito rico grande investidor da bolsa em seu apartamento high-tech conduz sonelemente seu cocô sobre a bandeja de prata até repousá-la na mesa romanticamente posta à luz de velas... que esse homem vive pra isso?!? Que o trabalho na bolsa é uma forma de não levantar suspeitas e para que ele possa investir?!? Em merda?!? Em desejo?!? E então ela me pergunta:

- Qual o contrário de comer cocô?
- Tristeza... não! Frustração.

Mas ela insiste e diz que quer saber em termos de paladar e eu me esforço pra sentir como é o gosto do cocô."



Esse filme é assim aparentemente chocante por mostrar a merda como ela é..
O texto é o impacto da narrativa que transporta até o cheiro do que o ser humano é capaz (e isso inclui também nosso pessoal-paladar-peculiar)
Será que o mundo mudou?
Será que nós mudamos?
Será que a semântica é a unica diferança?
Será inocência ou displicência não percebermos a sujeira no ventilador?
Ou será que é a impotência fruto da não consciência da nossa importância?
Até quando no mundo tudo será possível?
Será que não haverá nada que poderá deter as ideologias corrosivas?

* Na verdade eu assisti a esse filme no dia primeiro de junho desse ano...
Desde então venho adiando sua colocação aqui...
é tão urgente repensarmos nossa liberdade e o mundo em que vivemos...
não sei o porquê da minha demora em falar sobre...?


ANTES DO CREPÚSCULO:

EYEZION

Foi um amanhecer desprovido da fina linha do véu noctívago
Quando EYEZION, luz poética primaveril,
Veio com sua urgência triste despertar de seu leito sossegado,
cantar impacientemente sua promessa de novos feixes de luz
Sua voz ecoava docemente através dos galhos e dos vales
disparando rapidamente sobre os montes,
cantando assim suas notas angustiantes:
Acelere, acelere, faça perdurar as horas
Acorde a estrela matinal
Desperte-a de sua flor de contornos completamente orvalhados
Lance-a ao remoto, longínquo e distante.
(Cristall, Ann Batten)






BEFORE TWILIGHT:

EYEZION

DAWN had not streak'd the spacious veil of night,
When EYEZION, the light poet of the spring,
Hied from his restless bed, to sing,
Impatient for the promis'd beams of light:
Sweetly his voice through woods and vallies rang,
While fleeting o'er the hills, these anxious notes he sang:
Swift, swift, ye lingering hours,
And wake the morning star;
Rouse from the dew-fraught flowers
The shades, and drive them far.
(Cristall, Ann Batten)



* Ninguém escreve a luz como essa mulher... Sou sua fã... "Traduzi" a seqüência dos seus "Esboços poéticos" (Poetical Sketches) Bem, eu tentei transcrevê-la.. Coloquei uma parte aqui (a primeira)... Não resisti... Essa foto lembrou-me tanto a Cristall que tive de revelar essa minha A.versão secreta
*Foto By Aline, 6 de agosto de 2005 !!!!!
*Um conselho: sábado em petropolis faz bem.... num dia lindo faz muito... eu bem que tentei trazer o dia lindo pra cá... mas meus braços não suportaram tanta beleza...