Calerdoses... ?

Setembro 28, 2005


Lado A Lado com Sondheim


Sabe o que é surpresa?
-É descobrir, à cada ato, o que é beleza
e ter a certeza de que a sofisticação está na singeleza....
Pois é, talentos quando se misturam dá nisso.
Acabei de chegar de "Lado A Lado com Sondheim" (perceberam a brincadeirinha com fotos e texto lado a lado?),
musical que reúne 31 canções
compostas por Stephen Sondheim no gogó de cinco artistas brasileiros maravilhosos
Gostei de tudo , mas fiquei estática quando no finale ouvi a minha musica. Sabe aquela...? Aquela que parecemos gostar desde antes de nascer? Então, foi exatamente essa!
O máximo é que eu nem esperava por isso
O legal é que esse encontro ao acaso foi exatamente o encerramento do espetáculo, por isso quando as cortinas caíram eu desabei.
'Tadinha da senhora ao meu lado...
-pera lá, não caí realmente, só pra exclarecer. Sorte dela eu estar sentada,
também não ia fazer isso com a velhinha.
Caí metafóricamente, ok?...
mas ela bem que teve de ouvir minha "linda" voz sussurrando quase cantando como quem queria gritar...
isso sim é que é penar!
Bem, mas quando tudo terminou eu só sabia falar:
LiNdO!!!lindo!!!!!! LINDO
em todos os tons e de todas as formas!
batia batia batia palmas como uma foca amestrada
Praticamente uma macaca, uma perfeita retardada.

*PS: durante todo o espetáculo ouvindo aquelas letras que mais pareciam esculturas, lembrei-me dos meus tempos de "English teacher" e de cada vez que coloquei o português na frente do inglês. Eu anunciava à todo momento essa "superioridade" lingüística (colocava o português lá nas alturas). Só que tudo um dia cai na testa e hoje mordi, mais uma vez, a língua
(não as línguas, mas a minha é claro!).
Sendo assim, por uma questão de justiça
eu aproveito o espaço
e desdigo publicamente essa minha blasfêmia:
Confesso que errei quando disse que inglês é uma fala restrita (eu é quem sempre fui)
Desconfesso todas as vezes que maldisse essa vergonha
Desconfesso qualquer superioridade de idioma
Desconfesso meus insultos
Desconfesso tudo para poder confessar que me apaixonei
E me apaixonei em inglês...
por isso digo que caí de amores
e quando caio assim é de lado exatamente naquele meu lado artista
aquele que sempre cai à primeira vista
Pois acabei de ver e digo logo que é paixão. Veio fulminante como esse impulso que me trouxe aqui.
Estou com os olhos famintos sem sono pra dormir, pois só o deslumbramento não escolhe a hora de chegar
E cheguei, encontrando o inicio das próximas semanas, encontrei um novo lugar pra navegar
(Logo eu? e logo agora! que fiz promessa de largar a net. Já "tô" até vendo: dias seguintes esquadrinhando esse meu Fall in love)... Bem, não tem outro jeito além de ousar e pousar meu "kamicaze"
Nem tudo é perfeito a queda abrupta é quase irremediável
Tenho certeza de que a cada dia, mais e mais, me afundarei sobre Sondheim
Ser artista é ele... é ser todos os -ês
(lindo até em português).
É ser de todos nesse tudo que é o Show.

Foi uma re-visão linda de apreciar... Ser artista é isso: ir e sempre voltar, fazer rir e ao mesmo tempo chorar...


Arte é humo de qualquer idioma
É o que torna qualquer terreno baldio em Roma
forma diamantes a partir de pedaços de vidro
constrói sempre novos sonidos,
Tem uma concha sempre ao pé do ouvido


Centro Cultural Banco do Brasil
Rua Primeiro de Março 66, Centro do Rio de Janeiro
Telefone: 3808-2020
"Lado a lado com Sondheim"
De 1º de setembro a 20 de novembro, de quarta-feira a domingo, às 19h
Ingressos: R$ 10 e R$ 5
Classificação etária: 14 anos


Eis a musica espetacular dentre as várias nesse espetáculo....



Send in the Clowns


Isn't it rich?
Are we a pair?
Me here at last on the ground,
You in mid-air.
Send in the clowns.

Isn't it bliss?
Don't you approve?
One who keeps tearing around,
One who can't move.
Where are the clowns?
Send in the clowns.

Just when I'd stopped opening doors,
Finally knowing the one that I wanted was yours,
Making my entrance again with my usual flair,
Sure of my lines,
No one is there.

Don't you love farce?
My fault I fear.
I thought that you'd want what I want.
Sorry, my dear.
But where are the clowns?
Quick, send in the clowns.
Don't bother, they're here.

Isn't it rich?
Isn't it queer,
Losing my timing this late
In my career?
And where are the clowns?
There ought to be clowns.
Well, maybe next year.



*Sempre amei essa musica
Só de saber que ela é de um musical assim já me dá um dó.lá si - buá buá
Mas eu nem era nascida quando estava em cartaz? talvez isso possa me conso.lá si - rs rs

Atenção Atenção para a musicalidade, verso e mensagem...
é tudo tão lindo que nem ouso comentar e se quer adaptar
tão pouco usar minhas tão famosas a-VERSÕES
Ainda mais agora quando sei que ela tem mais significados além dos que jamais imaginei
Fico até com vergonha de dizer que eu amo essa musica
Pois eu gosto de uma forma tão incompleta
No teatro ela, com certeza, é bem melhor e maior
Posso adiantar que pra mim ela revela relações resvaladas.
É triste.
Drama Drama Drama...
Mas, quem disse que as minhas musicas preferidas são as alegres?
nã nã ni ná não, definitivamente NÃO!

~>O relacionamento a dois é um tema que Sondheim aborda quase sempre em sua obra.
Estou descobrindo que com seu talento ele não esgota essa temática que pertence à todos nós, seres sociais

Bem, falar sem permitir ouvir não tem a menor graça
então siga os passos:
No link: rádio uol
Na lacuna: UOL BUSCA
Digite: Send in the Clowns
Selecione: Musica
Clique: OK
E escolha a opção com Frank Sinatra (é a minha preferida, a que ouço em casa)....


Vamos nos jog-AR...



Quer onde for, chego!
Só quero fôlego!
Sentir o frio correr a espinha lisa
Na face, ter somente a brisa
Denunciar, revelar, anunciar, publicitar, publicar
Me jogar sem julgar, conjugar até perder o ar do que é verbaliz-ar
Falar gritar gritar gritar gritar gritar gritar sem pausar
e dessa altura pular, planar, flutuar, pairar sem parar
Atinar que já não vale a pena soltar o mesmo salto
Libertar minha necessidade do altar no degrau mais alto
Por isso, vou pra lá
Quero deixar tudo pra lá
Por isso, vamos além?
Com você quero procurar ninguém,
deixar tudo aquém

Então,
prenda a respiração
Vem cair?
vem cá ir!
Vem e se entregue
Vem, me segue
Vem, me cura e me segura
Vem me segur-AR!






Porque hoje é setembro e amanhã é dia 7...




Composição: Lenine e Carlos Rennó


Rebenta na Febem rebelião
um vem com um refém e um facão
a mãe aflita grita logo: não!
e gruda as mãos na grade do portão

aqui no caos total do cu do mundo cão
tal a pobreza, tal a podridão
que assim nosso destino e direção
são um enigma, uma interrogação

Ecos do ão

e, se nos cabe apenas decepção,
colapso, lapso, rapto, corrupção?
e mais desgraça, mais degradação?
concentração, má distribuição?

então a nossa contribuição
não é senão canção, consolação?
não haverá então mais solução?
não, não, não, não, não...

Ecos do ão

pra transcender a densa dimensão
da mágoa imensa então, somente então
passar além da dor da condição
de inferno e céu nossa contradição

nós temos que fazer com precisão
entre projeto e sonho a distinção
para sonhar enfim sem ilusão
o sonho luminoso da razão

Ecos do ão

e se nos cabe só humilhação
impossibilidade de ascensão
um sentimento de desilusão
e fantasias de compensação

e é só ruina, tudo em construção
e a vasta selva, só devastação
não haverá então mais salvação?
não, não, não, não, não...

Ecos do ão

porque não somos só intuição
nem só pé-de-chinelo, pé no chão
nós temos violência e perversão
mas temos o talento e a invenção

desejos de beleza em profusão
ideias na cabeça, coração
a singeleza e a sofisticação
o choro, a bossa, o samba e o violão

Ecos do ão

mas, se nós temos planos, e eles são
o fim da fome e da difamação
por que não pô-los logo em ação?
tal seja agora a inauguração
da nova nossa civilização
tão singular igual ao nosso ão
e sejam belos, livres, luminosos
os nossos sonhos de nação.

Ecos do ão
Ecos do ão



...Por isso resolvi botar essa musica em nosso verde desbotado.